
Intenção e responsabilidade
Por BRUNO
Por BRUNO
Neste artigo vamos nos aprofundar num dos movimentos filosóficos mais importantes do século XX: o Existencialismo, que ainda é influência mesmo para os estudiosos contemporâneos.
O avanço tecnológico às portas do século XX transformou todas as áreas de conhecimento. Era a época da máquina e o apogeu para um futuro onde as ciências naturais e sociais deixariam o subjetivismo e seriam mais bem decifradas pelas ciências positivas. E a corrente filosófica mais propícia para suprir essa necessidade alardeada pelo novo mundo era o positivismo lógico e seus métodos científicos (mais disseminado pelo Círculo de Viena). Por outro lado, o cientificismo encheu os olhos daqueles que incentivavam guerras em nome desse futuro à velocidade das locomotivas; as máquinas tornaram o mundo mais frio e acordos e desacordos entre nações causaram diversos atritos que reduziram o mundo a áreas de influências e uma Europa em ruínas após duas guerras mundiais.
Na contramão da corrente vigente da época, veio Edmund Husserl (1859-1938) e sua Fenomenologia que tinha como meta trazer a filosofia de volta à metafísica. A fenomenologia baseava-se na noção da intencionalidade, conceito este que seria muito importante para a filosofia sartreana. Ensina Husserl que a consciência tende para o mundo, dirigida para o mundo. Nenhuma consciência é pura, ela é consciência de alguma coisa e ela é para o mundo, assim como há um objeto em si, ela é para o sujeito que lhe dá significado. E é aí que a fenomenologia rivaliza com o positivismo lógico: não há um conhecimento científico neutro, livre de ação e das paixões humanas. A fenomenologia, antes de tudo, "humanizou" o mundo, não o concebendo como algo separado do homem.
A humanidade estava cética. Os corpos pilhados em campos de concentração desmotivaram crenças e, acima de tudo, a esperança na importância do papel do ser humano no mundo.
Após 1945, surgira nas universidades francesas um movimento intelectual totalmente influenciado por sua época, buscando a recriação da identidade dos homens e mulheres que reconstruíam seus países destruídos. "Existencialismo" foi a expressão cunhada pela imprensa francesa. Muitos pensadores deste movimento negaram este rótulo - de "filósofos existencialistas" -; entre eles estava Marleau-Ponty (1908-1961), que preferia sua obra com a alcunha de "filosofia da existência". É sabido que mesmo Jean-Paul Sartre (1905-1980), principal figura do movimento filosófico, renegou o título9 de existencialista à posteridade.
Através da obra Husserl, Sartre buscou a filosofia que tinha desesperadamente procurado até então: uma filosofia que recriaria o sujeito. Era comum na filosofia do século XIX e início do XX a ideia de "representação". O mundo agiria através da nossa percepção de cores, cheiros, sabores, visão, etc. Inspirado na fenomenologia, o jovem Sartre nos lançou até o mundo - para sentirmos as sensações, teríamos de ir até elas, para alcançarmos o objeto é preciso que nos lancemos no mundo e não apenas moldá-los em nossa consciência.
O existencialismo não é uma filosofia de desespero e desolação. Na verdade, esse é o primeiro estágio do "método". Alguns podem mesmo se sentirem desesperados por um mundo desolado e clamar a Deus uma mudança. Uma melhora. Nesse campo a filosofia de Sartre se torna a mais densa e importante, porque Sartre nos diz: "Deus não existe", não há nada que preceda o homem e, assim, como ensina a fenomenologia, o homem tende para o mundo. Somente ele é responsável por sua vida e a dos demais, segundo suas escolhas e ações.
É muito comum associar a ausência de um ente divino predecessor como total falta de responsabilidade moral, mas Sartre, pelo contrário, evidencia e expande a importância da existência humana. Estipula a intencionalidade, o homem se faz, faz o que quer através da intenção de fazê-lo, nada é determinado por outrem, o homem é livre de todas as formas possíveis. Ele vive sua vida como uma obra inacabada cabe a ele terminar o que ele mesmo iniciou. Porém, essa liberdade absoluta requer responsabilidade: agir da maneira que deve, isto é, gozar da liberdade plena obriga-o a se responsabilizar não só por si mesmo, mas por toda a humanidade e pelas consequências de seus atos. Essa é sua legislação. Viver de tal de forma que não esta é, segundo o filósofo, ma fé com a vida e com seus iguais. É preciso aceitar viver com a angústia que acarreta tamanha responsabilidade para conservar nossa legitimidade como seres humanos, ou nossa única escolha é necessitar de deuses ou outra coisa que os valha. A emancipação será assim adiada. Tornamo-nos isentos de nossos erros e buscamos culpar forças maiores que nós.
O avanço tecnológico às portas do século XX transformou todas as áreas de conhecimento. Era a época da máquina e o apogeu para um futuro onde as ciências naturais e sociais deixariam o subjetivismo e seriam mais bem decifradas pelas ciências positivas. E a corrente filosófica mais propícia para suprir essa necessidade alardeada pelo novo mundo era o positivismo lógico e seus métodos científicos (mais disseminado pelo Círculo de Viena). Por outro lado, o cientificismo encheu os olhos daqueles que incentivavam guerras em nome desse futuro à velocidade das locomotivas; as máquinas tornaram o mundo mais frio e acordos e desacordos entre nações causaram diversos atritos que reduziram o mundo a áreas de influências e uma Europa em ruínas após duas guerras mundiais.
Na contramão da corrente vigente da época, veio Edmund Husserl (1859-1938) e sua Fenomenologia que tinha como meta trazer a filosofia de volta à metafísica. A fenomenologia baseava-se na noção da intencionalidade, conceito este que seria muito importante para a filosofia sartreana. Ensina Husserl que a consciência tende para o mundo, dirigida para o mundo. Nenhuma consciência é pura, ela é consciência de alguma coisa e ela é para o mundo, assim como há um objeto em si, ela é para o sujeito que lhe dá significado. E é aí que a fenomenologia rivaliza com o positivismo lógico: não há um conhecimento científico neutro, livre de ação e das paixões humanas. A fenomenologia, antes de tudo, "humanizou" o mundo, não o concebendo como algo separado do homem.
A humanidade estava cética. Os corpos pilhados em campos de concentração desmotivaram crenças e, acima de tudo, a esperança na importância do papel do ser humano no mundo.
Após 1945, surgira nas universidades francesas um movimento intelectual totalmente influenciado por sua época, buscando a recriação da identidade dos homens e mulheres que reconstruíam seus países destruídos. "Existencialismo" foi a expressão cunhada pela imprensa francesa. Muitos pensadores deste movimento negaram este rótulo - de "filósofos existencialistas" -; entre eles estava Marleau-Ponty (1908-1961), que preferia sua obra com a alcunha de "filosofia da existência". É sabido que mesmo Jean-Paul Sartre (1905-1980), principal figura do movimento filosófico, renegou o título9 de existencialista à posteridade.
Através da obra Husserl, Sartre buscou a filosofia que tinha desesperadamente procurado até então: uma filosofia que recriaria o sujeito. Era comum na filosofia do século XIX e início do XX a ideia de "representação". O mundo agiria através da nossa percepção de cores, cheiros, sabores, visão, etc. Inspirado na fenomenologia, o jovem Sartre nos lançou até o mundo - para sentirmos as sensações, teríamos de ir até elas, para alcançarmos o objeto é preciso que nos lancemos no mundo e não apenas moldá-los em nossa consciência.
O existencialismo não é uma filosofia de desespero e desolação. Na verdade, esse é o primeiro estágio do "método". Alguns podem mesmo se sentirem desesperados por um mundo desolado e clamar a Deus uma mudança. Uma melhora. Nesse campo a filosofia de Sartre se torna a mais densa e importante, porque Sartre nos diz: "Deus não existe", não há nada que preceda o homem e, assim, como ensina a fenomenologia, o homem tende para o mundo. Somente ele é responsável por sua vida e a dos demais, segundo suas escolhas e ações.
É muito comum associar a ausência de um ente divino predecessor como total falta de responsabilidade moral, mas Sartre, pelo contrário, evidencia e expande a importância da existência humana. Estipula a intencionalidade, o homem se faz, faz o que quer através da intenção de fazê-lo, nada é determinado por outrem, o homem é livre de todas as formas possíveis. Ele vive sua vida como uma obra inacabada cabe a ele terminar o que ele mesmo iniciou. Porém, essa liberdade absoluta requer responsabilidade: agir da maneira que deve, isto é, gozar da liberdade plena obriga-o a se responsabilizar não só por si mesmo, mas por toda a humanidade e pelas consequências de seus atos. Essa é sua legislação. Viver de tal de forma que não esta é, segundo o filósofo, ma fé com a vida e com seus iguais. É preciso aceitar viver com a angústia que acarreta tamanha responsabilidade para conservar nossa legitimidade como seres humanos, ou nossa única escolha é necessitar de deuses ou outra coisa que os valha. A emancipação será assim adiada. Tornamo-nos isentos de nossos erros e buscamos culpar forças maiores que nós.
Aqui lemos um breve e explicativo resumo do Existencialismo, sua origem e suas implicações. Quero deixar a filosofia existencialista de Sartre para outro tópico (o que fecha essa série). No próximo artigo iremos estudar o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), suas influências e sua polêmica adesão ao Partido Nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
Segue abaixo um link muito interessantes a respeito do existencialismo:
Segue abaixo um link muito interessantes a respeito do existencialismo:
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Créditos de imagem: Gabz
2 comentários:
Salve, mago das letras... Excelente didática na explanação das idéias.
Afirmo-te, se não fosse o 'Existencialismo' Lou James não existiria!
Grnd abç.
Que me desculpe Sartre, e não querendo detrinir nenhuma corrente de pensamento, mas na minha humilde opinião a própria noção da inexistência de Deus é desesperadora. Primeiro, porque estar completamente sozinho nesse mundo seria crueldade demais até para a condição humana. Segundo, porque esse fato implica que a ignorância do homem sobre suas origens é tanta quanto a ignorância sobre o seu destino. Que tipo de "Carpe Diem" distorcido é esse?
Me perdoe se me faltou um pouco de polidez nas linhas acima, mas creio que tenho todo direito de discordar. De uma forma ou de outra, o seu texto explica bem a filosofia dessa época.
Abraço!
P.S.: O seu texto já está no Anagrama. Sempre que quiser o espaço por lá está aberto. :D
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